
Em inúmeras culturas existe crenças e supertições a cercá de certas coisas, eu no caso descobri do modo mais difícil que certas "lendas" podem realmente ser verdadeiras podem marcar profundamente a alma de um ser.
Nasci como filho de camponeses humildes da região costeira do Reino de Alafis, com a vida dura que levava aprendi que o trabalho honesto é a melhor recompensa para a pessoa que vive corretamente; apesar disso vivi o terror de ver um a um meus entes queridos sucumbirem diante de mim, todos vitimas de uma praga que assolou a região, inexplicavelmente sobrevive e lembro com terror as noites de agonia de meu pai que delirava balbuciando palavras estranhas sobre um gato negro com os olhos da morte que vinha busca-lo, gato esse que segundo a crença regional serial a personificação da morte, ou seja quem visse o gato estava fadado a morrer sem chance de sobrevivência. O medo e a angustia tomaram conta de mim, eu agora com 8 anos de idade decidi deixar aquela terra amaldiçoada e vagar em busca de algo melhor, já que estava sozinho na vida; o tempo foi passando e não conseguia encontrar lugar pra ficar; doente e exausto pelos longos dias de caminhada acabei desmaiando de fraqueza, e num súbito olhar eu vi e entendi o medo de meu falecido pai, vi a morte com olhos felinos e pelo negro, me olhava com desprezo e ao mesmo tempo curiosidade; tentei levantar, mas minha consciência deixava meu corpo e acabei por cair em profunda escuridão. Seria isso a morte, o fim de tudo, o manto negro que cobre todos e faz cada um não importando a raça classe e cor, faz todos exatamente iguais.
Lembro que ao mesmo tempo que sonhava sonhos de terror e angustia escutava os gritos de dor de minha mãe e as palavras temerosas de meu pai; acordei subitamente, estava dentro de uma espécie de templo, meus olhos infantis marcados pela dor percorreram cada canto daquela sala enquanto se adaptava a claridade do lugar, vi novamente o felino aterrador que estranhamente desta vez me olhava como se eu fosse igual a ele e vi que o mesmo tentava me guiar para fora daquele aposento. Ao sair da sala do templo me deparei com muitos monges enfileirados como em um ritual de reverência, reverência essa que descobri muito rapidamente não ser para mim e sim para aquele que me guiava. Descobri então que o templo era em adoração ao Kami Ashann, senhor da morte e que segundo o abade me disse eu era seu escolhido e que deveria cumprir meu destino servindo a Ashann; assustado e ao mesmo tempo surpreso não sabia o que dizer, apenas sentei perto do abade enquanto ele explicava o que estava acontecendo. Após ter escutado tudo decidi que essa seria minha missão na vida, descobrir ao certo de o porquê fui poupado e qual a minha relação com todos esses eventos. E assim começa minha ascensão rumo a uma queda que me transformaria em um dos mais temidos assassinos de toda Lairs. Vida e morte, começo e fim,tudo existe para um propósito, enquanto me torno cada vez mais inumano, vejo o porque do terror nos olhos de meu pai a beira da morte, pois quando morremos não importa o que você fez ou deixou de fazer, o que realmente importa e que no final todos somos iguais e assim como o gato negro que seria um mal presságio, eu o transformei em meu sinal da sorte, em minha crença pessoal me tornando igual a ele, me tornando a morte viva.

Um comentário:
todo mundo escrevendo contos... má que beleza, indo rumo ao mundo da produçao literária... heuheuehueh!!!
ficou bacana, a Mari vai gostar muito, principalmente porque ela te convenceu...
XD
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